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RELATO DE EXPERIÊNCIA

Page history last edited by Izolete 2 years, 9 months ago

 

RELATORIO DE EXPERIÊNCIA

 

 

Aluno: Marcelo

Idade: 7 anos

Primeiro ano escolar

Portador de Síndrome de Down

Pro0fessora: Izolete Lazaroto.

     No seu primeiro dia de aula, o aluno iniciou adaptação com os colegas. No início da aula ele se recusou a fazer qualquer tipo de atividade e jogou os seus materiais no chão. Com isso, propus a ele que brincássemos um pouco. O aluno Lucas sentou ao lado do Marcelo, neste dia e em alguns momentos os dois brincaram, em outros o Marcelo batia no rosto do colega.

      Por motivo de doença, Marcelo passou uma semana sem vir à aula, sendo assim a sua adaptação foi interrompida e o meu trabalho foi retomado no dia da sua volta..Nesta aula, como o Marcelo ainda estava adaptando-se, ficou um pouco nervoso, não quis realizar o trabalho proposto. O seu colega Lucas sentou ao seu lado. O Marcelo jogou os seus materiais em colegas e inclusive na professora. Retomei com ele a questão do machucar o colega, por que não devemos fazer isso, porém não adiantou e então troquei o Lucas de lugar, sendo assim, o Marcelo sentou sozinho o resto da aula.

      Com o Marcelo mais calmo, conseguia desenvolver um trabalho com ele sobre o corpo, neste dia o seu colega Lucas quis novamente sentar ao seu lado, e isto aconteceu de maneira que o Marcelo não agrediu o seu colega.

      Na aula seguinte o Marcelo participou da Ed. Física com os colegas interagindo muito com eles. O aluno estava mais calmo e nós realizamos uma atividade sobre as cores.

       Como o aluno veio todos os dias da semana na aula estava mais adaptado e teve um bom relacionamento com os colegas.

       Na semana seguinte  o aluno entrou um pouco agitado, segundo a mãe ele estava sem medicação havia alguns dias e por isso poderia estar agressivo. O Marcelo agrediu um colega, foi retomado com ele a questão do machucar um colega e então este pediu desculpas e isto não aconteceu mais nesta aula.

       Num desses dias o Marcelo,  chegou às 15h por estar em consulta com o Neurologista. No início da aula o aluno estava tranqüilo, realizou a atividade proposta, que era de pintura com tinta têmpera, mas logo em seguida começou a agredir o seu colega que estava sentado do seu lado, e deitou no chão, então fizemos algumas combinações a respeito dos brinquedos: não teria como ele brincar com os brinquedos da sala deitado no chão, e então, após certo tempo de negociação, o aluno levantou-se e sentou novamente no seu lugar.

        No próximo dia, o Marcelo não realizou nenhum trabalho. Agrediu um colega, porém estava menos agressivo que no dia anterior.

 Na semana seguinte assistiu ao filme tranquilamente, porém ao voltar à sala, não quis realizar nenhuma das atividades propostas, agrediu a sua professora, batendo nela, jogou os seus materiais no chão e em cima da professora .

         Nos próximos dias, no início da aula foi tudo tranqüilo, o Marcelo conversou e brincou com os colegas, porém, não demorou muito e pedi para que o Lucas mudasse de lugar, pois o Marcelo estava batendo nele, pegando o seu boné e puxando o seu cabelo.

Após, já começamos a atividade proposta, a qual consistia em ligar o animal ao que ele nos dá, orientei o Marcelo na realização desta atividade e com dificuldade de concentrar-se no que se pedia o aluno realizou a atividade, vibrando ao término dela.

        Na segunda etapa da realização da atividade, que seria pintar os desenhos, o Marcelo pediu para trocar os materiais com a sua colega, a Daiana, em seguida, convidando-a para sentar ao seu lado. Então combinamos que, para a colega sentar do seu lado, ele não poderia bater nela, senão a colega ficaria triste e não iria mais querer sentar ali. Após as combinações, a aluna sentou-se ao lado do Marcelo que durante uns 15 minutos concentrou-se na sua atividade e teve um bom relacionamento com a colega, porém, não demorou muito e o aluno rompeu a combinação dando um tapa na colega e estragando o seu material.

Depois do lanche, contei uma história aos alunos, e eles deveriam continuar a mesma e fazer um desenho no caderno. O Marcelo contou a sua parte da história, ouviu o que a profª e os colegas falaram, porém, na hora de desenhar no caderno ele não quis, e então a sua profª veio ajudá-lo, mas ele não estava muito bem, pois teve um pouco da falta de ar e acabou ficando nervoso, quis apontar o seu lápis e acabou jogando todo o lixo da lixeira no chão, não querendo juntar, dizendo que iria sujar a sua mão, após eu ter falado com ele que depois que ele juntasse o lixo poderia ir lavar a mão, ainda relutando e algumas vezes deitando no chão ele juntou o lixo e então foi lavar as suas mãos.

      Ao final da aula, o Marcelo e os colegas brincaram com os brinquedos da sala, neste momento o aluno estava mais tranqüilo, mas ainda jogou o caderno de um dos seus colegas no chão.

      O aluno Marcelo faltava muito a aula por ter a saúde muito frágil, ao retornar às aulas tinha que se readaptar novamente, e nessas readaptações ele  era sempre muito agressivo, batendo no rosto  dos seus colegas, mas depois de conversarmos acabava se acalmando e nós realizavamos a atividade a atividade.

        Com o meu auxílio o Marcelo realizava as atividades propostas e escolhia para sentar ao seu lado a sua colega Daiana que prontamente o atendia. Ele era extremamente carinhoso com esta  colega.

Passado um tempo do inicio do ano , mais ou menos em agosto, o aluno já estava mais adaptado  a escola,  realizava as atividades com maior empenho, dentro do possível e estava mais calmo.

       Haviam dias em que o aluno estava apático e sonolento, segundo a mãe por causa da medicação,quando ele ficava assim se recusava a realizar as atividades e eu não insistia para não deixá-lo pressionado.

     Tinha alguns dias em que o a aluno estava agitado e na hora do lanche, demorava um pouco mais que os colegas para comer, enquanto começávamos a fazer fila para retornar à sala de aula já que outra turma já estava chegando para o seu horário, o Marcelo queria subir em cima da mesa do refeitório, conversava com ele dizendo que não poderia fazer aquilo pois ninguém estava fazendo e os colegas já estavam esperando na fila para retornarmos a sala de aula.

     Teve um dia, logo no início da aula enquanto eu pegava uma caixa atrás da sala de aula e os alunos organizavam o material em cima das suas mesas o Marcelo arranhou com um lápis a sobrancelha do seu colega Marlon a ponto de sangrar. Neste momento chamei a Orientadora da escola para que realizássemos os devidos encaminhamentos: chamamos os pais do Marcelo à escola e conversamos com a mãe do colega que foi atingido para que tudo fosse esclarecido.

 

 

      Neste dia o Marcelo veio mais calmo para a aula, nós realizamos atividade sobre as cores e brincamos.

       Mas na aula seguinte  o aluno não quis entrar na sala, sua mãe ajudou, mas ele entrou, sentou e baixou a cabeça e assim permaneceu enquanto a sua mãe estava ali, assim que ela foi embora, comecei a conversar com ele e aos poucos o aluno foi realizando as atividades que lhe eram solicitadas e brincando com o colega que estava sentado ao seu lado.

        O Marcelo, de um modo geral era uma criança muito querida!  Teve alguns avanços no aspecto social interagindo mais com os colegas e criando laços de amizade com alguns, porém em muitos momentos, quando era contrariado tornava-se agressivo, dando tapas e jogando os seus materiais nos colegas e se jogando no chão.

         Com relação ao  conhecimento do seu corpo, porém, por ter uma motricidade ampla limitada ainda não tinha domínio total deste. Não era cuidadoso com seu material e seguidamente queria utilizar o material dos colegas.

           Ao final do ano letivo ele reconhecia as letras do seu nome, do nome dos pais e de alguns colegas e tinha algum conhecimento das letras do alfabeto, associando-as ao nome de objetos e a pessoas.

O aluno ordenava os objetos somente com o auxílio da professora e apresentava dificuldades ao classificar objetos com critérios especificado (cor, forma, tamanho).

Apesar de as atividades propostas serem todas com material concreto, para chamar a atenção do aluno, o mesmo, em muitos momentos não queria realizar as tarefas e acabava tornando-se agressivo. Foi realizada uma adequação curricular e de horários para que o aluno fosse contemplado em todos os aspectos e o seu crescimento fosse maior e mais significativo.

O Marcelo chegou ao final do ano letivo em processo de alfabetização e de desenvolvimento emocional e social.

Eu como educadora e por ter feito parte desta experiência com o Marcelo, posso dizer que sempre me pautei por ações que contribuíssem para o crescimento do aluno Marcelo, sei que na maioria das vezes meu objetivo foi alcançado, porém em algumas vezes eu acredito ter deixado a desejar, não por negligência ,mas por falta de um maior preparo e experiência para lidar com crianças portadoras de necessidades especiais, também por falta de ter um maior suporte especializado dentro da escola para me orientar nos conflitos mais complexos envolvendo a questão do aluno portador de necessidades especiais. 

 

                                         

Comments (4)

Simone Ramminger said

at 11:25 pm on Apr 2, 2009

Olá Izolete!
"O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais."
Criaste o pbwiki para o Dossiê, me enviaste o e-mail com o endereço, me deste acesso a ele e fizeste o relato de uma experiência. Lembra que um aspecto importante nos relatos é mudar o nome das pessoas envolvidas para preservar a identidade das mesmas. Tiveste outras experiências com portadores de necessidades especiais em outros anos? Lendoo teu relato fiquei pensando como um aluno assim exige tempo, energia, dedicação e conhecimento do professor né?!
Agora aproveita para ler os depoimentos dos teus colegas e deixar comentários. Abraço, Simone Ramminger - Tutora sede EPNE

Izolete said

at 2:08 pm on Apr 3, 2009

Oi Siimone, realmente, o desgste com um aluno assim é muito grande. Sim Simone, já tive outras experiências, mas esta foi a mais complicada e por ser mais recente é que resolvi relatá-la.Também tive o cuidado de mudar os nomes, só o meu que não mudei. Em 2001 tive uma aluna que frequentava a APAE há mais de 3 anos, ela era muito diferente, a mãe dizia que era só problema motor, mas não era só isso, porém, apesar dos inúmeros problemas que esta aluna tinha, além de não conseguir escrever, na metade do ano ela já estava alfabetizada, pedia que ela fizesse suas produções oralmente e eu escrevia, assim a avaliava.No final do ano ela avançou para a série seguinte, porém no ano seguinte ouvi a colega que estava com ela, perguntar quem tinha aprovado a aluna em questão, disse com convicção que tinha sido eu, e dei a ela toda uma explicação de que esta aluna não deveria ter a turma como parâmetro na hora de ser avaliada, pois ela era diferente da maioria, em algumas situaçoes ela ia além, porém em outras ficava muito atrás. Para mim foi uma experiência muito bonita, até hoje eu não esqueço da frase da mãe me pedindo para ficar com a filha dela, foi a seguinte: "De mãe para mãe é um pedido que te faço, tenta ver se você consegue ficar com a Carla (nome fictício) Eu mal conseguia dar conta de mim e dos alunos ditos normais, pois havia passado por um problema familiar muito complicado, e o fato daquela criança ser tão diferente me assustava, mas acabei aceitando a companhia da Carla e foi muito bom!

Simone Ramminger said

at 12:09 am on Apr 5, 2009

Izolete pelos teus relatos aqui no wiki e no fórum podemos perceber que incluir um aluno com necessidades educacionais especiais numa sala de aula não é tarefa simples. Achei interessante uma postagem tua no forum que diz: "Estas crianças são incluídas em nossas salas de aula, mas ao mesmo tempo, em muitas vezes, excluídas por nós, não por negligência, mas pelo simples fato de falta de preparo." Concordo que pais e educadores ainda precisam pensar, refletir e estudar muito sobre o assunto e as escolas precisam estar melhor equipadas e estruturadas fisicamente para receber estes alunos. Aprender a perceber e respeitar as limitações de cada um é uma tarefa muito importante. Vi que ja visitaste e fizeste comentário no wiki da Jurema!! Parabéns!! Um abraço, Simone

Ana Paula said

at 11:19 pm on Apr 6, 2009

Amiga, concordo contigo no comentário que deixou no meu wiki, quando digo que não estamos preparadas para trabalhar com alun os com alguma deficiência, mas como diz o ditado "A ocasião faz o ladrão", temos que enfrentar a situação e tentar tirar o maior proveito dela e fazer a nossa parte, dar atenção dobrada a estes alunos.E é isto que tu fizestes tambem com o Marcelo, deu todo uma atenção e apoio especial a ele, da tua maneira, mas deu e lendo acho que o fizestes muito bem. Pois nossa primeira reação é se apavorar e dizer "não sei, não vou conseguir", mas com ajuda e perseverança a gente consegue.
Parabéns pelo teu relato e sucesso que teve com o Marcelo, sei e acredito na profissional que és.
Beijos, Ana Paula

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